domingo, 10 de outubro de 2010

O novo comandante e seus compromissos


Paulo Odone está eleito mais uma vez presidente tricolor. Esta será a quarta vez que comandará o clube, a primeira foi de 1988 a 1990, sendo que o Grêmio em 1989 conquistou sua primeira Copa do Brasil. Depois comandou o clube por quatro anos consecutivos, de Dezembro de 2004 a dezembro de 2008, porém em dois mandatos já que o Grêmio elege seu mandatário de dois em dois anos. Neste último período tomou decisões importantes, como criar o condomínio de credores, junto com Túlio Macedo, seu companheiro de direção e idealizador da idéia. O condomínio foi criado para em prestações quitar as dívidas do Grêmio com ex-jogadores, sejam elas por salários atrasados ou ações trabalhistas, a maioria delas vêm do tempo de José Alberto Guerreiro, mas algumas ainda são do mandato de Luis Carlos Silveira Martins, o Cacalo. É exatamente este condomínio que difere o Grêmio de clubes como Corinthians e Flamengo e os outros três grandes cariocas, afundados em milionárias execuções judiciais trabalhistas. O condomínio permite ao Grêmio controle de seus gastos com o departamento de futebol e ajuda a planejar o ano que vem pela frente, sem gastos exacerbados como os da época de Guerreiro, mesmo assim a folha tricolor com o futebol gira em torno de três milhões de reais.

Outro fator positivo do último mandato de Odone foi ter tirado o Grêmio da assombrosa segunda divisão, lugar que não deveríamos conhecer, más já estivemos por lá. Duas vezes, o que é pior ainda, pois prova que os erros da primeira queda não foram observados pelo comandante da segunda, Flávio Obino.
Além dos dois pontos citados acima, a gestão Odone conquistou os campeonatos Gaúchos de 2006 e 2007 e foi finalista de uma copa Libertadores da América, ficou com o vice-campeonato, que nem deveria ser citado porque não é título, mas tendo em vista que pouco mais de um ano antes estávamos na segunda divisão, é sim algo a ser escrito. Nesta época o time do Grêmio era comandado por Mano Menezes, que numa jogada de pulso forte de Odone chegou ao Grêmio como uma aposta e hoje é técnico da seleção brasileira de futebol. Odone teve peito para assumir um erro próprio, demitiu um homem que muito fez pelo Grêmio como jogador, Hugo de León, o qual havia contratado para tirar o Grêmio da segundona, mas não deu resultados sequer no estadual e contratou o então técnico da S.E.R Caxias, mostrando que respira o vestiário, (ao contrário do atual presidente que demorou a ver tudo de errado que Silas fazia) trocou na hora certa. Estava por perto para analisar erros e acertos, e agiu rápido. Assim como fez anos mais tarde na demissão de Vagner Mancini, que tinha 6 jogos no comando do Grêmio com 4 vitórias e 2 empates, mas armava times muito ofensivos, que fugiam da tradição tricolor. Era inevitável que tão logo começasse o campeonato nacional o Grêmio sucumbiria a adversários de maior nível técnico e tático.
Em minha opinião, todos os fatos acima citados foram acertos de Odone e sua cúpula, mas dessa vez ele terá logo de cara mais duas complicadas missões: Renovar com Jonas e manter Renato Portaluppi no comando do vestiário.

Renovar com Jonas não será das tarefas mais fáceis, mesmo ele tendo declarado que seu coração é Gremista, por várias vezes disse que tinha o tal “sonho europeu”, e aí é difícil segurar. O que pode facilitar é uma eventual classificação para a Libertadores ou também uma valorização salarial com contrato longo, assim como foi feito com Victor que de R$ 75.000,00 passou a ganhar de início R$ 200.000,00 e que ao final do contrato, daqui a 5 anos estará ganhando R$ 250.000,00. Tudo isso mensalmente, óbvio.

Acho que todo esforço é válido para manter Jonas que tem contrato se encerrando no final do ano que vem, e caso não renove até junho de 2011, poderá assinar um pré-contrato com qualquer outro clube ir embora de graça. Jonas vem há dois anos sendo o goleador da equipe, em 2009 ficou 12 rodadas fora do time por lesão e mesmo assim terminou o brasileirão como goleador da equipe. Máxi Lopez que participou da maioria desses 12 jogos, se não me engano 10 deles, terminou com 12 gols. Este ano Jonas empilha gols. Muitos deles decisivos e quebra recordes como, por exemplo, a marca de Jardel que era de 65 gols pelo Grêmio, já ultrapassada e distanciada. Cabe o aumento de salário, pois Jonas ganha menos que Borges, que tem salários de R$180.000,00, faz menos gols que Jonas e se machuca a cada bimestre. Está aí outro fator positivo, dificilmente o matador se machuca, com exceção da séria lesão do ano passado, Jonas está sempre bem. Nem mesmo as tantas lesões musculares que o grupo teve chegaram a ele, por isso merece todo esforço e valorização possível para seguir por aqui. E Odone têm de fazê-lo.

Com Renato, será mais tranqüilo. Sua vontade é de ficar e o grupo também quer o mesmo. Porém não me convenço de que Odone quer Renato no comando, nem mesmo Antonio Vicente Martins, vice de futebol, me passa essa certeza. Caso o Grêmio não fique com Renato, será uma perda irreparável, pois o grupo não gostaria de trocar de comandante, principalmente pela afinidade do treinador com seus comandados, todos recebem a mesma atenção do comandante e está claro nos jogos que o Grêmio vem fazendo que Renato é um ótimo motivador, e um bom treinador, pois todos que entram dão conta do recado, mostram disposição tática e que estão fechados com ele e pelo projeto dele de fazer o Grêmio conquistar títulos de grande expressão novamente. E além de tudo, os resultados falam por si e por sua capacidade para ser treinador do clube onde é o maior ídolo. Portanto tem que ficar por aqui. Paulo Odone e Antonio Vicente Martins têm esses dois fatores para resolver tão logo assumam o tricolor e me parece que para tudo dar certo, depende quase que unicamente do bom senso de ambos de fazerem as propostas certas para os homens certos, sem poupar esforços.

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